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BIENAL DE SÃO PAULO
Arnaldo Marques da Cunha


Ciccillo Matarazzo

Professor na Casa das Artes de Laranjeiras, Rio de Janeiro (CAL). Curso de Jornalismo (incompleto), Escola de Comunicação, UFRJ. Revisor técnico e tradutor.

A Bienal Internacional de Arte de São Paulo é uma exposição de artes plásticas de grandes proporções que, como o nome indica, ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo.

Considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional – ao lado da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel – é  responsável por projetar a obra de artistas desconhecidos e por refletir as tendências mais marcantes no cenário artístico global. Costuma acontecer no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque do Ibirapuera, motivo pelo qual o prédio também é conhecido como “Prédio da Bienal”, projetado por Oscar Niemeyer.

Primeira exposição de arte moderna de grande porte realizada fora dos centros culturais europeus e norte-americanos, sua origem articula-se a outras realizações culturais ocorridas em São Paulo no final da década de 1940 – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp, 1947), Teatro Brasileiro de Comédia (TBC, 1948), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP, 1949) e Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949), beneficiadas por mecenas como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand (1892-1968).


Yolanda Penteado

Memorial cronológico
1951 – Concebida no âmbito do MAM/SP, a primeira Bienal foi inaugurada em 20 de outubro na esplanada do Trianon, local hoje ocupado pelo Masp. O espaço, projetado pelos arquitetos Luís Saia e Eduardo Kneese de Mello, deu lugar a 1.800 obras de 23 países, além da representação nacional. A primeira edição ocorreu devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (conhecido como Ciccillo Matarazzo, 1892-1977) e de sua esposa Yolanda Penteado.

1953 – A segunda edição ficou famosa por trazer ao Brasil a obra “Guernica”, de Pablo Picasso, até então inédita no país, e ocorreu no parque do Ibirapuera recém-inaugurado por ocasião das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, cujo projeto é assinado por Oscar Niemeyer (1907) e Burle Marx (1909-1994).


Poster da Bienal de 1951, de Antonio Maluf

1955 – A terceira Bienal, beneficiada por 46 trabalhos de Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) e por 44 gravuras dos muralistas mexicanos, marca a consolidação do evento. 1957 – A quarta Bienal contou com a presença surrealista e com a participação da obra de Jackson Pollock (1912-1956).

1959 – Grande sucesso de público, a quinta Bienal trouxe como novidade, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), a "ofensiva tachista e informal". Nesta edição, também foi inaugurada uma área para teatro, que passou a dividir o espaço físico disponível com as mostras de filmes, com as artes plásticas e a arquitetura.

1961 – A curadoria geral de Mário Pedrosa combinou obras contemporâneas (Kurt Schwitters, 1887-1948) com retrospectivas históricas (Alfredo Volpi, 1896-1988). A ampliação da participação nacional e a maior representação de obras de caráter histórico valeram uma série de críticas ao evento por parte da imprensa.

1963 – A mostra destacou-se pela grandiosidade que, a partir daí, tornou-se um de seus traços característicos.

1965-1973 – Neste período, a Bienal sofreu de perto os efeitos do golpe militar e da repressão política no país. As participações, nacionais e internacionais, diminuem sensivelmente – o que quase comprometeu o evento (mesmo assim, a mostra de 1967 contou com representativa presença da arte “pop”).


Guernica, de Picasso

1969 – A oposição dos artistas à ditadura militar ganhou expressão ampliada nesta 10ª Bienal quando, no Museu de Arte Moderna de Paris, diversos artistas e intelectuais assinam o Manifesto Não à Bienal.

1977 – A partir da 14ª Bienal, a exposição passou a se organizar por núcleos temáticos, no interior dos quais as obras passaram a ser alocadas.

Década de 1980 em diante – Os curadores se notabilizaram pela definição de temas e questões que orientaram a organização dos trabalhos, assim como pelas inovações museográficas.

1981 e 1983 – A 16a e a 17a Bienais, sob a curadoria geral de Walter Zanini, têm papel importante no resgate do prestígio do evento, abalado na década anterior. Zanini organizou a mostra tendo como eixo as analogias de linguagens entre obras variadas (Núcleo 1: "Linguagens aproximadas"). Fortaleceu o núcleo histórico (Núcleo 2), apresentou o acervo do Museu do Inconsciente e reconquistou a participação dos artistas contemporâneos –  causando grande impacto a representação nacional, com Antonio Dias (1944), Cildo Meireles (1948) e Tunga (1952), dentre outros.


Jackson Pollock

1985 e 1987 – A curadora da 18ª e da 19a Bienais, Sheila Leirner, com o auxílio de arquitetos, apresentou novas soluções para a montagem da exposição. As idéias norteadoras dos eventos – “A grande tela”, onde as obras foram expostas em três vastos corredores, com 30cm de distância entre cada uma delas, e “A grande coleção”, onde os trabalhos foram exibidos de forma vertical no grande hall do Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer – marcaram um novo conceito de curadoria.

Anos 1990 – As mostras são organizadas com base em grandes temas: "Ruptura com o Suporte" (1994) e "Antropofagia" (1998). Nessa década, as bienais são tomadas por espetáculos de diversos tipos: dança, teatro, música etc., o que faz delas eventos culturais mais amplos.

Atualmente – A Bienal é mantida pela Fundação Bienal de São Paulo, entidade sem fins lucrativos que também promove a Bienal Internacional de Arquitetura, Urbanismo e Design de São Paulo em colaboração com o Instituto de Arquitetos do Brasil.

Fontes:
50 anos Bienal de São Paulo: 1951-2001. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2001. 
AMARAL, Aracy. Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer: 1961 - 1981. Apresentação Ana Maria de Moraes Belluzzo. São Paulo: Nobel, 1983.
ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru: Edusc, 2001..
Retrospectiva: figuras, raízes e problemas da arte contemporanea. Prefácio Eduardo Etzel; introdução Eduardo Etzel. São Paulo: Cultrix, 1975.
Uol Entretenimento, Diversão e Arte / Bienal.
Enciclopédia Itaú Cultural (www.itaucultural.com).
Wikipedia, Artes e Biografias.

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